Ai que dor no pâncreas! Sinto pontadas cada vez que algum operador de telemarketing liga para "poder estar encaminhando" uma proposta de serviço de motoboy, papelaria, telefonia. Poxa, o cuidado com o português é o mínimo que se pode fazer quando seu cartão de visitas é a fala, a voz, o telefone. Errar na escrita a gente engole, mas na fala fica difícil.
Olá, meu nome é Mariana e eu já trabalhei num call center! Tá vendo, eu não reclamo a toa. Onde eu trabalhei, por 30 dias (praticamente um recorde), não vou citar o nome da empresa, o gerúndio era crime.
Num sistema quase nazista as gravações eram ouvidas numa salinha pequena, com duas cadeiras e um computador. Ali, além de ganhar pouco, escutar barbaridades nas ligações, você, funcionário, ainda tinha que ouvir sua própria voz.
Dessa maneira sufocante eram corrigidos os erros das ligações: falar rápido, falar devagar, gaguejar, respirar no bocal do fone, errar o nome do cliente, deixar a pessoa sem informação, passar informação demais, ser grosseiro, usar o gerúndio, etc. Enfim, inúmeras regras para fazer uma simples ligação.
Talvez se ainda no treinamento as empresas dessem algumas aulas práticas de língua portuguesa o atendimento seria mais eficaz e menos irritante. Assim, além de terem um funcionário minimamente qualificado para falar ao telefone, dariam sua contribuição para a vida do funcionário.
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