Escrevi esse texto no blog antigo, no dia 04/10/07.
Observo minha própria mão segurando uma borracha - meio de ladinho, com as unhas vermelhas, apagando um papel, e lembro das mãos da minha mãe. As mesmas unhas vermelhas, o mesmo jeito de segurar a borracha e de movê-la sobre o papel. As mãos com veias saltadas, iguais as delas, iguais as do meu avô.
E o filme da vida, ou do começo dela passou pelos meus olhos. Lembrei da infância no quintal, das broncas para fazer a lição de casa antes de jantar - brincar, do cheiro da árvore de manjericão, dos ralados nos joelhos, da figura de meu avô me esperando voltar do colégio assim.
Observo minha própria mão segurando uma borracha - meio de ladinho, com as unhas vermelhas, apagando um papel, e lembro das mãos da minha mãe. As mesmas unhas vermelhas, o mesmo jeito de segurar a borracha e de movê-la sobre o papel. As mãos com veias saltadas, iguais as delas, iguais as do meu avô.
E o filme da vida, ou do começo dela passou pelos meus olhos. Lembrei da infância no quintal, das broncas para fazer a lição de casa antes de jantar - brincar, do cheiro da árvore de manjericão, dos ralados nos joelhos, da figura de meu avô me esperando voltar do colégio assim.

Sempre segurando o portão com uma das mãos, e com a outra a bengala, um tapa (leve, claro) na cabeça e dizia que tinha "leite pronto na cozinha". Assistíamos TV juntos, sentados no mesmo sofá, na mesma sala.
E que saudade apertada, de lágrimas nos olhos e suspiros profundos me trouxe essa borracha.
11 anos da morte do vovô.
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