Aprendi o que era inércia ainda no ensino fundamental, vulgo ginásio. Numa aula de ciências, ou física, porque antes tudo era “ciências”. Segundo a explicação da professora, uma japinha fofa e carrasca, inércia é a resistência que todos os corpos materiais opõem à modificação de seu estado de movimento. Mais fácil de entender com o exemplo do ônibus: o veículo está em movimento e pára, apesar do tranco que tomamos, não saímos do lugar. Sim, é essa coisinha que não nos deixa sair do lugar, na maioria das vezes.
Na primeira definição do "amigão" Aurélio inércia é a falta de ação. Pronto, cheguei a uma palavra que define parte do momento que vivo. Continuo trabalhando, limpando, vivendo, amando, todos os verbos ativos. Mas, eu sofro menos, choro menos, me emociono menos, vibro menos. Não sei se a felicidade passou de pequenos momentos de alegria a uma estrada longa e cheia de desafios. Ou se a vida amadureceu todos os sentimentos à medida que eu cresci.
Não acho que sou menos feliz que antes, mas o fato é que não tenho mais borboletas no estômago quando preciso enfrentar algo grande. O ditado a lá Peter Parker "grandes poderes trazem grandes responsabilidades" se faz cada vez mais presente. O heroísmo de todos os dias, que me faz levantar cedo e dormir tarde, desejar e lutar e quando não atingimos nosso objetivo ou quando esse objetivo se torna cada vez mais distante, a força cresce junto com o tempo que levaremos até alcançá-lo.
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