sexta-feira, 24 de julho de 2009

Eu, a 'Gripe A' e o S.U.S.

Ontem por um descompasso do destino acabei parando no P.S. do Hospital Ipiranga. Não foi nada comigo! E agora já está tudo bem. Tenho acompanhado as últimas notícias referentes a 'Gripe A', ou 'Gripe Suína', nos jornais e confesso que já estava um tanto preocupada. Mas, até ontem não tinha sentido o perigo. E acreditem, há uma enorme diferença entre saber e ver.

Quando entrei pela porta principal do P.S. do Ipiranga me deparei com pessoas de máscaras - aquelas brancas de proteção para boca e nariz. Pelo menos 70% das pessoas, entre pacientes, médicos, enfermeiros e funcionários do hospital, estavam com máscaras. Não sei se dá para imaginar, mas chegar lá e dar de cara com esse cenário foi um baita impacto visual. A 'Gripe A' chegou mesmo e aos meus olhos!

A sensação é de que todos estão em pânico, mas como 'o governo' disse que não há motivo para desespero, todos acabam se controlando e em vez de caos, olhares aflitos de gripados comuns, gripados A, pacientes com outras milhões de doenças que não gripe.

Essa situaçãp leva a outro motivo para pânico, o descaso com a saúde pública. O tema já batido, bate sempre a porta das famílias brasileiras. São senhores de idade, crianças, enfartandos, todos com o mesmo tipo de atendimento, pífio, falho e sem estrutura. Médicos que querem muito ajudar, mas não tem como, enfermeiros dedicados, trabalhando horas seguidas e ainda assim gentis, seguranças, motoristas de ambulância, paramédicos, com vocação, mas bolsos vazios e sentindo o descaso na própria pele.

E o contraste social? De uma lado do hospital o P.S. público com paredes amarelas e feias, cadeiras velhas, corredores cheios e mal cheirosos. Do outro, o lado dito 'particular', destinado a conveniados e pessoas que pagarão por seu atendimento, chão de granito muito bem limpo, recepção vazia, elevador, sensação de limpeza.

Além da revolta, raiva, impotência, outros sentimentos são encontrados nos rostos dos pacientes de um P.S. Solidariedade, cumplicidade, amizade, tolerância, compaixão. É a pobreza nacional que une as pessoas. É colaborar com o outro para que alguém colabore com você, a relação da troca humana que permite sorrisos em meios às lágrimas.

2 comentários:

  1. Essa é a realidade dos brasileiros.. e infelizmente...Muito triste!!!!...Karina

    ResponderExcluir
  2. Mari. A filha do meu amigo faleceu de gripe Suína! Estamos em choque!!!! beijo

    ResponderExcluir